Existe um tipo específico de reunião em que o time técnico explica a proposta e o gestor acena, anota três siglas e sai sem saber se aprovou a coisa certa. Depois vem o orçamento, e as mesmas siglas reaparecem com números ao lado.
Este glossário é para esse momento. Os termos estão agrupados por área, e cada um vem com a informação que realmente importa: qual decisão ele afeta.
Entrega de software
Repositório — onde o código vive, com histórico de cada alteração e autor. Git é a ferramenta dominante; GitHub, GitLab e Bitbucket são serviços que hospedam repositórios Git.
Branch — uma linha paralela de trabalho no repositório. Quanto mais tempo uma branch fica aberta, mais dolorosa é a integração depois. É um dos melhores indicadores de saúde de um time.
Merge — juntar uma branch de volta à principal. "Conflito de merge" é quando duas pessoas mexeram na mesma coisa e alguém precisa decidir.
Pull request (ou merge request) — o pedido de revisão antes de integrar. É onde a revisão de código acontece e onde os portões automáticos são aplicados.
Build — transformar código-fonte em algo executável. "O build quebrou" significa que o código não compila ou não passou nos testes.
Pipeline — a sequência automatizada que roda a cada alteração: build, testes, verificações, empacotamento e, às vezes, deploy. É a espinha dorsal de uma operação moderna.
CI (integração contínua) — a prática de integrar o trabalho de todos na branch principal com frequência alta, validando automaticamente a cada integração.
CD — ambígua de propósito, e vale saber qual está em jogo: entrega contínua significa que todo código aprovado fica pronto para ir a produção, com o deploy acionado por decisão humana; implantação contínua significa que ele vai automaticamente.
Deploy — colocar uma versão em um ambiente. Não confundir com release: com feature flag, você pode entregar o código sem liberar a funcionalidade.
Rollback — voltar à versão anterior. Fácil para código, difícil quando houve mudança de banco de dados — e é por isso que migração de banco merece cuidado especial.
Feature flag — um interruptor que liga ou desliga uma funcionalidade sem novo deploy. É a forma mais rápida de reverter algo que deu errado.
Artefato — o resultado empacotado do build (uma imagem de container, um pacote). Registry é onde os artefatos ficam guardados.
Container e orquestração
Container — um processo isolado que carrega as próprias dependências, compartilhando o kernel do host. Resolve o "funciona na minha máquina" porque o ambiente vai junto com a aplicação.
Imagem — o modelo a partir do qual containers são criados. Imutável e versionada por tag.
Docker — a ferramenta que popularizou containers. Docker Compose descreve vários containers que sobem juntos — adequado para um servidor, e mais do que suficiente em muitos casos.
Orquestrador — o que gerencia containers em várias máquinas: decide onde cada um roda, reinicia os que morrem, distribui tráfego e escala conforme a demanda.
Kubernetes — o orquestrador padrão de mercado. Poderoso e complexo; exige alguém que o mantenha. Adotá-lo cedo demais é um erro caro e comum.
Pod — a menor unidade do Kubernetes: um ou mais containers que rodam juntos.
Namespace — divisão lógica dentro do cluster. Atenção: não é fronteira de segurança por si só; isolamento real exige políticas de rede e de permissão.
Helm — gerenciador de pacotes para Kubernetes, que empacota conjuntos de configuração reutilizáveis.
Infraestrutura
IaC (infraestrutura como código) — descrever servidores, redes e serviços em arquivos versionados, em vez de configurar manualmente. O ganho principal não é velocidade: é reprodutibilidade e histórico de quem mudou o quê.
Terraform — ferramenta de IaC que cria e destrói recursos de forma declarativa: você descreve o estado desejado e ela calcula a diferença.
Ansible — ferramenta de automação de configuração: instala pacotes, ajusta serviços, aplica estado dentro das máquinas.
Idempotência — propriedade de uma operação que pode rodar várias vezes com o mesmo resultado. É o que torna automação segura de repetir.
Provisionamento — criar e preparar um recurso novo.
Drift — quando a realidade se afasta do que o código descreve, normalmente porque alguém ajustou algo na mão. É o inimigo silencioso da IaC.
Observabilidade
Monitoramento — acompanhar indicadores conhecidos e alertar quando saem da faixa. Responde "está tudo bem?".
Observabilidade — conseguir entender o que está acontecendo por dentro a partir do que o sistema emite, inclusive para perguntas que você não previu. Responde "por que está assim?".
Métrica — número ao longo do tempo (requisições por segundo, uso de memória). Barato de guardar, bom para gráfico e alerta.
Log — registro de eventos. Rico em detalhe, caro em volume. Só é útil se estiver centralizado.
Trace (rastreamento) — o caminho de uma requisição atravessando vários serviços, mostrando onde o tempo foi gasto. Indispensável em arquitetura distribuída.
Alerta — notificação automática quando algo sai do esperado. Alerta sem ação definida vira ruído, e ruído treina a equipe a ignorar.
SLI, SLO e SLA — o indicador que você mede, a meta interna que define bom o bastante, e o compromisso contratual com o cliente. O SLA deve ser sempre mais frouxo que o SLO, para haver margem antes da multa.
Error budget — quanto de falha o SLO permite no período. Quando acaba, a prioridade muda de entregar funcionalidade para estabilizar.
Postmortem — a análise depois de um incidente, focada em causa e correção, não em culpado.
Confiabilidade
Disponibilidade — percentual de tempo em que o serviço está operando. "Três noves" (99,9%) permite cerca de 43 minutos de indisponibilidade por mês; "quatro noves" (99,99%), cerca de 4 minutos.
RTO — quanto tempo o negócio aceita ficar fora do ar. RPO — quanto dado aceita perder. São decisões de negócio, não técnicas, e precisam estar escritas.
Failover — assumir automaticamente em um componente reserva quando o principal falha.
Ponto único de falha — o componente cuja queda derruba o conjunto.
Blast radius — o alcance do estrago quando algo falha. Boa arquitetura reduz esse alcance.
On-call (sobreaviso) — a escala de quem atende incidente fora do horário.
Runbook — o procedimento escrito para um incidente previsível. Vale dez vezes mais escrito antes do que improvisado durante.
Segurança
DevSecOps — colocar verificação de segurança dentro do pipeline, em vez de deixá-la para uma auditoria no fim.
SAST e SCA — análise do seu código em busca de falhas, e análise das suas dependências em busca de vulnerabilidade conhecida.
SBOM — a lista de todos os componentes de um artefato. É o que permite responder em minutos "estamos afetados por essa vulnerabilidade?".
Secret — credencial, chave, token. Nunca no repositório; sempre em cofre.
Least privilege — dar a cada pessoa e a cada automação apenas o acesso necessário.
Os termos que mais geram decisão errada
Quatro para olhar com atenção quando aparecerem numa proposta:
- "Precisamos de Kubernetes." Pergunte qual sintoma concreto o justifica. Sem sintoma, é complexidade paga à toa.
- "Vamos para microsserviços." Pergunte quantos serviços e quem vai operar. Monolito bem feito perde para poucos times.
- "Temos CI/CD." Pergunte o tempo do commit até a produção e quando foi o último rollback testado.
- "Temos backup." Pergunte quando foi a última restauração e quanto tempo levou.
As quatro perguntas separam o que existe de fato do que existe na intenção.
Onde a Solvefy/Cloud entra
Boa parte do nosso trabalho de consultoria começa traduzindo essa conversa em decisão: o que o seu ambiente realmente precisa, em que ordem, e o que pode esperar. Fazemos o diagnóstico com números — tempo de ciclo, frequência de entrega, tempo de recuperação — e implantamos na sequência que dá resultado, com transferência de conhecimento para o seu time.
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