Glossário DevOps: os termos que todo gestor de TI ouve

Pipeline, container, orquestração, IaC, observabilidade, GitOps, SLO. O que cada termo significa de fato e qual decisão ele afeta, sem jargão circular.

Equipe Solvefy 6 min de leitura

Existe um tipo específico de reunião em que o time técnico explica a proposta e o gestor acena, anota três siglas e sai sem saber se aprovou a coisa certa. Depois vem o orçamento, e as mesmas siglas reaparecem com números ao lado.

Este glossário é para esse momento. Os termos estão agrupados por área, e cada um vem com a informação que realmente importa: qual decisão ele afeta.

Entrega de software

Repositório — onde o código vive, com histórico de cada alteração e autor. Git é a ferramenta dominante; GitHub, GitLab e Bitbucket são serviços que hospedam repositórios Git.

Branch — uma linha paralela de trabalho no repositório. Quanto mais tempo uma branch fica aberta, mais dolorosa é a integração depois. É um dos melhores indicadores de saúde de um time.

Merge — juntar uma branch de volta à principal. "Conflito de merge" é quando duas pessoas mexeram na mesma coisa e alguém precisa decidir.

Pull request (ou merge request) — o pedido de revisão antes de integrar. É onde a revisão de código acontece e onde os portões automáticos são aplicados.

Build — transformar código-fonte em algo executável. "O build quebrou" significa que o código não compila ou não passou nos testes.

Pipeline — a sequência automatizada que roda a cada alteração: build, testes, verificações, empacotamento e, às vezes, deploy. É a espinha dorsal de uma operação moderna.

CI (integração contínua) — a prática de integrar o trabalho de todos na branch principal com frequência alta, validando automaticamente a cada integração.

CD — ambígua de propósito, e vale saber qual está em jogo: entrega contínua significa que todo código aprovado fica pronto para ir a produção, com o deploy acionado por decisão humana; implantação contínua significa que ele vai automaticamente.

Deploy — colocar uma versão em um ambiente. Não confundir com release: com feature flag, você pode entregar o código sem liberar a funcionalidade.

Rollback — voltar à versão anterior. Fácil para código, difícil quando houve mudança de banco de dados — e é por isso que migração de banco merece cuidado especial.

Feature flag — um interruptor que liga ou desliga uma funcionalidade sem novo deploy. É a forma mais rápida de reverter algo que deu errado.

Artefato — o resultado empacotado do build (uma imagem de container, um pacote). Registry é onde os artefatos ficam guardados.

Container e orquestração

Container — um processo isolado que carrega as próprias dependências, compartilhando o kernel do host. Resolve o "funciona na minha máquina" porque o ambiente vai junto com a aplicação.

Imagem — o modelo a partir do qual containers são criados. Imutável e versionada por tag.

Docker — a ferramenta que popularizou containers. Docker Compose descreve vários containers que sobem juntos — adequado para um servidor, e mais do que suficiente em muitos casos.

Orquestrador — o que gerencia containers em várias máquinas: decide onde cada um roda, reinicia os que morrem, distribui tráfego e escala conforme a demanda.

Kubernetes — o orquestrador padrão de mercado. Poderoso e complexo; exige alguém que o mantenha. Adotá-lo cedo demais é um erro caro e comum.

Pod — a menor unidade do Kubernetes: um ou mais containers que rodam juntos.

Namespace — divisão lógica dentro do cluster. Atenção: não é fronteira de segurança por si só; isolamento real exige políticas de rede e de permissão.

Helm — gerenciador de pacotes para Kubernetes, que empacota conjuntos de configuração reutilizáveis.

Infraestrutura

IaC (infraestrutura como código) — descrever servidores, redes e serviços em arquivos versionados, em vez de configurar manualmente. O ganho principal não é velocidade: é reprodutibilidade e histórico de quem mudou o quê.

Terraform — ferramenta de IaC que cria e destrói recursos de forma declarativa: você descreve o estado desejado e ela calcula a diferença.

Ansible — ferramenta de automação de configuração: instala pacotes, ajusta serviços, aplica estado dentro das máquinas.

Idempotência — propriedade de uma operação que pode rodar várias vezes com o mesmo resultado. É o que torna automação segura de repetir.

Provisionamento — criar e preparar um recurso novo.

Drift — quando a realidade se afasta do que o código descreve, normalmente porque alguém ajustou algo na mão. É o inimigo silencioso da IaC.

Observabilidade

Monitoramento — acompanhar indicadores conhecidos e alertar quando saem da faixa. Responde "está tudo bem?".

Observabilidade — conseguir entender o que está acontecendo por dentro a partir do que o sistema emite, inclusive para perguntas que você não previu. Responde "por que está assim?".

Métrica — número ao longo do tempo (requisições por segundo, uso de memória). Barato de guardar, bom para gráfico e alerta.

Log — registro de eventos. Rico em detalhe, caro em volume. Só é útil se estiver centralizado.

Trace (rastreamento) — o caminho de uma requisição atravessando vários serviços, mostrando onde o tempo foi gasto. Indispensável em arquitetura distribuída.

Alerta — notificação automática quando algo sai do esperado. Alerta sem ação definida vira ruído, e ruído treina a equipe a ignorar.

SLI, SLO e SLA — o indicador que você mede, a meta interna que define bom o bastante, e o compromisso contratual com o cliente. O SLA deve ser sempre mais frouxo que o SLO, para haver margem antes da multa.

Error budget — quanto de falha o SLO permite no período. Quando acaba, a prioridade muda de entregar funcionalidade para estabilizar.

Postmortem — a análise depois de um incidente, focada em causa e correção, não em culpado.

Confiabilidade

Disponibilidade — percentual de tempo em que o serviço está operando. "Três noves" (99,9%) permite cerca de 43 minutos de indisponibilidade por mês; "quatro noves" (99,99%), cerca de 4 minutos.

RTO — quanto tempo o negócio aceita ficar fora do ar. RPO — quanto dado aceita perder. São decisões de negócio, não técnicas, e precisam estar escritas.

Failover — assumir automaticamente em um componente reserva quando o principal falha.

Ponto único de falha — o componente cuja queda derruba o conjunto.

Blast radius — o alcance do estrago quando algo falha. Boa arquitetura reduz esse alcance.

On-call (sobreaviso) — a escala de quem atende incidente fora do horário.

Runbook — o procedimento escrito para um incidente previsível. Vale dez vezes mais escrito antes do que improvisado durante.

Segurança

DevSecOps — colocar verificação de segurança dentro do pipeline, em vez de deixá-la para uma auditoria no fim.

SAST e SCA — análise do seu código em busca de falhas, e análise das suas dependências em busca de vulnerabilidade conhecida.

SBOM — a lista de todos os componentes de um artefato. É o que permite responder em minutos "estamos afetados por essa vulnerabilidade?".

Secret — credencial, chave, token. Nunca no repositório; sempre em cofre.

Least privilege — dar a cada pessoa e a cada automação apenas o acesso necessário.

Os termos que mais geram decisão errada

Quatro para olhar com atenção quando aparecerem numa proposta:

  • "Precisamos de Kubernetes." Pergunte qual sintoma concreto o justifica. Sem sintoma, é complexidade paga à toa.
  • "Vamos para microsserviços." Pergunte quantos serviços e quem vai operar. Monolito bem feito perde para poucos times.
  • "Temos CI/CD." Pergunte o tempo do commit até a produção e quando foi o último rollback testado.
  • "Temos backup." Pergunte quando foi a última restauração e quanto tempo levou.

As quatro perguntas separam o que existe de fato do que existe na intenção.

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