Toda conversa técnica sobre Proxmox atropela uma dúzia de siglas em dois minutos. Quem está avaliando a plataforma — ou quem precisa aprovar o orçamento dela — frequentemente sai da reunião sem saber se entendeu ou se concordou com algo que não entendeu.
Este é o glossário que resolve isso. Não é uma lista alfabética: os termos estão agrupados pela camada a que pertencem, porque é assim que eles fazem sentido.
Os produtos
Proxmox VE (Virtual Environment) — a plataforma de virtualização. É o produto principal: roda as máquinas virtuais e os containers, gerencia o cluster, o storage e a rede. Baseado em Debian.
PBS (Proxmox Backup Server) — produto separado e gratuito, dedicado a backup. Faz cópia incremental com deduplicação e criptografia, verifica integridade e restaura arquivo individual de dentro de uma VM.
PMG (Proxmox Mail Gateway) — o terceiro produto, menos conhecido: um filtro de e-mail que fica entre a internet e o servidor de correio.
Subscription — o contrato opcional. Não desbloqueia funcionalidade; dá acesso ao repositório de pacotes mais testado e ao suporte do fabricante.
Virtualização
Hipervisor — a camada que permite várias máquinas virtuais compartilharem um servidor físico. No Proxmox, é o próprio kernel Linux com o módulo de virtualização.
KVM — o mecanismo de virtualização do Linux, que o Proxmox usa para as VMs. É virtualização completa: o sistema convidado não sabe que está virtualizado.
QEMU — o componente que emula o hardware virtual (disco, placa de rede, controladora) que a VM enxerga. Trabalha junto do KVM.
VM (máquina virtual) — um computador completo virtualizado, com o próprio kernel. Isolamento forte. É o que se entrega a cliente.
LXC (container de sistema) — um ambiente isolado que compartilha o kernel do host. Muito mais leve e denso que VM, com isolamento menor. Bom para serviços internos, inadequado para carga de terceiros.
VirtIO — a família de dispositivos paravirtualizados. Em vez de emular hardware antigo, o convidado conversa diretamente com o hipervisor. A diferença de desempenho em disco e rede é de ordem de grandeza, não de porcentagem. Linux já traz os drivers; Windows precisa que sejam instalados.
Agente de convidado — pequeno serviço instalado dentro da VM que permite ao Proxmox descobrir o endereço IP dela, desligá-la graciosamente e congelar o sistema de arquivos durante o backup, o que torna a cópia consistente.
Passthrough — repassar um dispositivo físico (GPU, placa) diretamente para uma VM. Dá desempenho nativo e prende aquela VM ao servidor físico: ela não migra mais a quente.
Ballooning — mecanismo que permite ao hipervisor recuperar memória não usada de uma VM. Útil em laboratório, perigoso em banco de dados e em Windows de produção.
Cluster
Nó — cada servidor físico que participa do cluster.
Cluster — o conjunto de nós administrados como uma unidade, com interface única e capacidade de mover cargas entre eles.
Corosync — o componente que mantém os nós conversando e sincronizados. É sensível a latência de rede e merece interface própria.
Quórum — a maioria necessária para o cluster tomar decisões. Com três nós, dois formam maioria. Com dois nós não há maioria possível — por isso cluster de dois nós precisa de um terceiro votante.
QDevice — esse terceiro votante. Uma máquina pequena, fora dos dois nós, que só participa da decisão de quem está vivo.
Split-brain — a situação em que a rede se parte e os dois lados acham que o outro morreu, assumindo as mesmas cargas. Resulta em corrupção de dado, não em indisponibilidade. O quórum existe para impedir isso.
Fencing — isolar um nó que não responde, para garantir que ele pare de escrever no storage antes que outro assuma as VMs dele. No Proxmox, normalmente por autoisolamento via watchdog.
HA (alta disponibilidade) — o mecanismo que reinicia automaticamente, em outro nó, as VMs de um nó que caiu.
Migração ao vivo — mover uma VM ligada de um nó para outro sem derrubá-la. Exige disco acessível no destino, CPU compatível e rede que dê conta.
Modo de manutenção — estado em que o nó devolve as VMs de HA aos outros nós e para de receber novas. É o que permite fazer manutenção durante o expediente.
Storage
Thin provisioning — alocar espaço conforme o uso, em vez de reservar tudo de antemão. Permite prometer mais do que existe, o que exige monitorar de perto.
Snapshot — um ponto no tempo gravado no mesmo storage do dado. Instantâneo e barato, excelente para reverter uma mudança. Não é backup: não sobrevive à perda do storage.
ZFS — sistema de arquivos e gerenciador de volumes com checksum de integridade, compressão, snapshot e replicação entre nós. Excelente para storage local redundante. Consome RAM de propósito, para cache.
ARC — o cache em memória do ZFS. É a razão de o ZFS "usar muita RAM"; essa memória está trabalhando, não desperdiçada.
Ceph — storage distribuído que espalha os dados por vários nós, sem ponto único de falha. É a base de operações hiperconvergentes. Mínimo de três nós.
OSD — cada disco gerenciado pelo Ceph. Um servidor com seis discos tem seis OSDs. Quando um sai, o Ceph redistribui os dados sozinho.
MON (monitor) — os componentes do Ceph que mantêm o mapa do cluster e decidem o quórum dele. Número ímpar, tipicamente três.
PG (placement group) — a unidade de agrupamento com que o Ceph distribui os dados entre os OSDs. Afeta o equilíbrio e o desempenho.
RBD — o dispositivo de bloco do Ceph, que é como a VM enxerga o disco dela.
LVM — gerenciador de volumes do Linux. Usado sobre storage de bloco externo (iSCSI, Fibre Channel). A variante LVM-thin suporta snapshot, mas não é compartilhável entre nós.
Datastore — no PBS, o destino onde os backups são gravados.
Deduplicação — guardar uma única cópia de blocos idênticos. É o que faz vinte VMs derivadas do mesmo template não ocuparem vinte vezes o espaço.
Rede
Bridge — um switch virtual dentro do host, ao qual as VMs se conectam. Normalmente chamada vmbr0, vmbr1 e assim por diante.
VLAN — segmentação lógica da rede, que permite separar o tráfego de clientes ou de ambientes sobre a mesma infraestrutura física.
Bonding — agrupar duas ou mais interfaces de rede, para redundância e, dependendo do modo, mais banda.
SDN (rede definida por software) — camada do Proxmox que permite criar e gerenciar redes virtuais de forma centralizada, útil quando o número de clientes ou ambientes cresce.
MTU e jumbo frames — o tamanho máximo do pacote. Aumentá-lo ajuda o tráfego de storage, desde que configurado de ponta a ponta; pela metade do caminho, causa lentidão errática.
Acesso e organização
Realm — a origem da autenticação. pam são usuários do Linux do nó; pve são usuários internos do Proxmox; e há realms para LDAP, Active Directory e login único.
Pool — agrupamento lógico de VMs e storages, criado para receber permissões em bloco. É o que permite dizer "este grupo administra estes recursos".
Papel (role) — conjunto nomeado de privilégios, como PVEVMAdmin ou PVEAuditor, atribuído a um grupo em um caminho.
Token de API — credencial separada para automação, com privilégio próprio e revogável individualmente, sem usar a senha de um usuário.
Os três mal-entendidos mais caros
Fechando com o que mais gera decisão errada:
- Snapshot não é backup. São categorias diferentes, não graus de proteção. Snapshot é estado anterior no mesmo lugar; backup é cópia em outro lugar, com retenção própria.
- Dois nós não formam cluster com failover. Sem um terceiro votante, a queda de um nó degrada o ambiente em vez de ser absorvida.
- Subscription não desbloqueia nada. O Proxmox gratuito tem todas as funcionalidades. O contrato compra repositório mais testado e suporte.
Onde a Solvefy/Cloud entra
Como parceiros oficiais Proxmox, traduzimos esse vocabulário em decisão: quantos nós, qual storage, qual desenho de rede e qual estratégia de proteção o seu caso pede — com os números do seu ambiente, não com recomendação genérica. Projetamos, implantamos e sustentamos, e deixamos a documentação que permite mais de uma pessoa operar.
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